sexta-feira, 1 de março de 2013

Escrevo a lembrança que minha alma traçou …

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Escrevo a lembrança que minha alma traçou... 

 

Escrevo a lembrança que minha alma traçou

Dentro do homem com mãos de ausência.

Por mais que minhas mãos escavem minhas raízes

Meu sangue me induz a cantar o sombrio e o alegre

 

O caminho cortado na água, o sonoro estupor da chuva.

A luz vesperal das velas das casas antigas.

Nas vidas vestidas de trajes de honra e bandeiras,

Cedros carregados de padecimentos e fúria

 

O rio em sua extensão contou com suas mãos,

Seu gado, seus velhos teares, suas rédeas,

Atando dentro do homem a lei dos séculos e lutas

 

Cada homem cortou da pura madeira e sonho

A casa que nasceu das mãos e lágrimas

Buscando a dor, o suplicio e a brusca esperança na terra.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Paisagem fotografada

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Paisagem fotografada

Está paisagem esteve sempre aqui

Um céu parado sobre um mar imóvel

Regados por um sol sem penumbras

E flores de involuntária beleza

 

Conheço o verde e as águas,

Pressenti as tempestades e o vento

Vi as mulheres andando nuas,

Descalças na manhã de verão

 

Navios limpando os horizontes,

Onda lambendo na praia caranguejos

Pedras e meninos construindo areia.

 

Olho a inércia em água e terra

O silêncio veleja a fotografia.

Tudo é eterno quando nós o vemos

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013




Olho o mar

 

Olho o mar na madrugada,
Olho o arrebentar das ondas.
É preciso um momento pasmo
Para achar um segredo
E não morrer solitário.
Hoje estamos nus e descalços
Diante de uma luz que se aproxima
Cheia de definições cotidianas
De tudo o que foi passado
Com a perfeição de uma faca
Olho os vestígios de ontem
Colados nos muros
Olho o caminho das formigas
Sulcando a madrugada deserta
Olho as águas do rio e a ponte
Que o tempo nunca envelhece
Olho meus sonhos povoados de sereias
De quem devo recordar o canto
Ardente e sem rumo na noite
Olho o mar na madrugada
Esperando a luz de um dia

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013


A chuva

 

Chove sem saber por que.
Chove apenas por chover,
Para molhar os sonos,
Lavar as pedras,
Encher os rios,
Lavar as folhas das árvores
E as tardes.

Chove para lavar
A alma dos homens,
A terra dos homens,
O nome dos homens.

A chuva chove lentamente
Para deixar que as nuvens
Se desmanchem
Em lágrimas pelo ar.
Nós continuamos
A buscar o porquê
Mas só a chuva
Sabe por que chove.